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Lisboa recebe a etapa final da IX Reunião Internacional de Camonistas

Notícia 02 de Junho 2026

A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa acolheu esta segunda-feira, 2 de junho, o primeiro de dois dias da etapa final da IX Reunião Internacional de Camonistas, iniciativa que, após passar por Braga (19-20 de março)e pelo Porto (15-16 de abril), termina agora em Lisboa.

A sessão de abertura contou com as intervenções de Hermenegildo Fernandes, diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, João Dionísio, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, e Isabel Almeida, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e da Comissão Organizadora da IX Reunião Internacional de Camonistas.

O programa do primeiro dia iniciou-se com o 10.º Painel, subordinado ao tema “Camões e o cânone literário europeu”, moderado por Hélio Alves. Roger Friedlein, da Ruhr-Universität Bochum, analisou a representação da paixão amorosa em Os Lusíadas e a sua relação com a tradição épica castelhana do Siglo de Oro. Lara Vilà, da Universidade de Girona, abordou a influência da obra camoniana na produção de Gabriel Lasso de la Vega e o papel de Os Lusíadas nos debates sobre o poema heroico no final do século XVI. Ilda Mendes dos Santos, da Sorbonne Nouvelle, explorou a presença e a receção de Camões em França durante a época moderna. Stefano Jossa, da Universidade de Palermo, que iria refletir sobre os diálogos entre Camões e a tradição literária italiana, infelizmente, não pode estar presente.

Seguiu-se o 11.º Painel, “Camões: escrita privada, figura pública”, moderado por José Pedro Serra. Felipe de Saavedra, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, centrou a sua comunicação na receção do epistolário camoniano, destacando o seu valor literário, histórico e biográfico. José M. Madeira apresentou uma reflexão sobre a possível autoria camoniana de uma carta de aviso dirigida a D. Sebastião, a partir de uma análise lexical, estilística e temática de diferentes fontes manuscritas e impressas.

Durante a tarde realizou-se o 12.º Painel, “Camões no Brasil”, moderado por Gilda Santos, do Real Gabinete Português de Leitura e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rodrigo Xavier, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, revisitou a figura de Inês de Castro em Os Lusíadas e o papel do amor na sua construção literária. Sérgio Alcides, da Universidade Federal de Minas Gerais, analisou a relevância das comemorações do tricentenário da morte de Camões no Brasil imperial e a sua relação com a formação do espaço público brasileiro. Já Alexei Bueno, da Academia Brasileira de Letras, abordou a receção de Camões no Brasil republicano, evidenciando a persistência da sua influência na literatura e no imaginário cultural brasileiros.

O primeiro dia encerrou com o recital “Acontece Camões”, apresentado por Paulo Filipe Monteiro e Lídia Franco, da Academia de Produtores Culturais, na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa.

A IX Reunião Internacional de Camonistas prossegue amanhã, 3 de junho, na Biblioteca Nacional de Portugal, com novos painéis dedicados à relação de Camões com as artes e à receção da sua obra, bem como uma visita guiada à exposição “No Rasto de Luís de Camões”. O programa completo pode ser consultado aqui.

A organização da etapa em Lisboa está a cargo de Isabel Almeida (FLUL) e o secretariado de Paulo Cracel (FLUL).