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Iconografia Camoniana- Peça “O Homem que se julgava Camões”

Notícia 06 de Junho 2025

Fotografia de João Guedes (Camões) e Irene Cruz numa cena da peça “O Homem que se Julgava Camões”, apresentada pelo Teatro Estúdio de Lisboa (TEL) no Teatro Vasco Santana em 1981
Inv. n.º MNT 177594Peça “O Homem que se julgava Camões”

O homem que se julgava Camões, peça de Luzia Maria Martins (1927-2000), estreou em 1981 no Teatro Vasco Santana. A autora, personagem fundamental do dito “teatro independente”, tinha fundado o Teatro Estúdio de Lisboa 20 anos antes. A sua vida e trabalho ligam-se à resistência ao Estado Novo, tendo inclusivamente encenado autores então censurados.

Conforme atestado no programa, o espetáculo – que teve um cartaz em que se representa uma coroa de louros entrelaçada a outra de espinhos, nasceu “Primeiro que tudo, na minha libertação (nos anos de permanência no estrangeiro) em relação aos compêndios de História, descaradamente tendenciosos e falaciosos, que nos impunham uma visão deformada, quando não ridícula, do drama dos Descobrimentos. […] Procurei (os dados colhidos mo impuseram) não restringir este estudo teatral a uma ótica ‘nacionalista’, demasiado restrita para uma época tão rica a nível europeu. […] O espetáculo não pretende dar respostas a problemas que nos causam inegáveis e compreensivas perplexidades de conteúdo antropológico, histórico, psicológico, filosófico, político e social, mas visa a criação de uma transmissão dinâmica de interrogações que despertarão no público – assim o espero – a necessidade de (passado o impacto imediato do espetáculo), uma reflexão sobre o poeta e sobre a identidade nacional tão pouco analisada com objetividade e rigor nas últimas décadas. A falsa grandiosidade do que desejaríamos ter sido não deve esconder o que realmente fomos.”

Contributo do Museu Nacional de Teatro e da Dança