Luís de Camões deve ter nascido em 1524 ou 1525. A data é calculada a partir de uma relação de embarque para a Índia, datada de 1550, que dá o poeta com 25 anos. O local de nascimento é indicado diferentemente pelos seus primeiros biógrafos: Coimbra, de acordo com testemunho de Domingos Fernandes, livreiro da Universidade, no Prólogo da edição da Lírica (publicada em 1607), ou Lisboa, conforme informação de Manuel Correia, comentador de Os Lusíadas (publicados em 1613).
Um dos poucos documentos biográficos que menciona Camões é datado de 7 de março de 1553. Aí se dá conta de que o poeta se envolveu numa briga (em dia de procissão de Corpo de Cristo), ferindo Gonçalo Borges, um funcionário do Paço. Na sequência desse ato, é preso na prisão do Tronco (Lisboa). É depois perdoado pelo ofendido e solto.
Após uma partida que esteve prevista, mas não chegou a concretizar-se, Camões embarca enfim para a Índia em 1553, viajando na nau S. Bento.
Publica uma ode dirigida ao Conde de Redondo (“Aquele único exemplo”), no livro do seu amigo Garcia de Orta intitulado Coloquios dos simples, e drogas he cousas medicinais da India.
Existem indícios fortes de que tenha desempenhado, por algum tempo (talvez entre 1563 e 1566), a função de Provedor de órfãos e defuntos, em Macau. Aí se localiza ainda hoje uma gruta com o seu nome. A informação é aduzida por Pedro de Mariz, o seu primeiro biógrafo.
O naufrágio da nau em que Camões viajava da China, de regresso a Goa, terá ocorrido na foz do Rio Mekong (atual Cambodja), por finais de 1566. Nele terá perdido pertences que lhe estavam confiados. No mesmo naufrágio terá morrido ainda uma companheira, que se acredita ter sido a Dinamene nomeada em vários textos. O episódio do naufrágio é mencionado também n’ Os Lusíadas (X, 128).