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Iconografia Camoniana - O cofre da Memória

Notícia 30 de Maio 2025

Cofre
Autor desconhecido
1862
Madeira e prata
Museu de Lisboa, MC.OUR.0019
Procedência: Largo Luís de Camões, escavação arqueológica, 1999
Restauro: Museu da Cidade, 2008 (Moisés Campos)
Dimensões: 24 cm x 13 cm x 17,5 cm
Foto: Museu de Lisboa / José Avelar

 

O cofre da memória

Na história portuguesa, Luís de Camões já foi navegante e náufrago, timoneiro e homem só à deriva. Para alguns regimes políticos, a sua figura foi identitária da aventura portuguesa. Em outros momentos, foi votado ao esquecimento. O espírito romântico do século XIX tornou Camões no poeta nacional e num símbolo de portugalidade, misto de glória e de martírio, metade épica, a outra metade trágica.
Em 1860, quando o escultor Vítor Bastos (1830-1894) ganhou a encomenda para o Monumento a Camões, há pelo menos meio século que o poeta era retratado como metáfora do génio coletivo português. O lançamento da primeira pedra do monumento foi uma ocasião festiva. Na tarde de 28 de junho de 1862, as principais autoridades do reino juntaram-se no antigo Largo do Loreto (hoje Praça Luís de Camões) para proceder ao solene ato. C

Colocou-se no alicerce um cofre com o auto de deposição da pedra fundamental, uma placa comemorativa e várias moedas do reinado de D. Luís.
Pensou-se, na altura, que só daí a muitos séculos (uma eternidade) é que os homens do futuro iriam encontrar este registo. Mas só foi preciso esperar 137 anos. No verão de 1999, quando decorriam obras para a construção do parque de estacionamento subterrâneo no Largo Camões, arqueólogos da Câmara Municipal de Lisboa acompanharam a desmontagem do monumento. A pouca profundidade, encontraram uma caixa de pedra em calcário e, no seu interior, o cofre com a memória do dia 28 de junho de 1862. O auto de deposição não sobreviveu ao tempo, mas conserva-se a placa comemorativa escrita em latim, testemunho perene da forma como o Romantismo português considerou o poeta: nomini immortali Aloisii de Camoens Lvsitanorvm poetarvm princeps.

Texto: Paulo Almeida Fernandes/Museu de Lisboa

Agradecimento: Lídia Fernandes, arqueóloga (Museu de Lisboa – Teatro Romano) / EGEAC.