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Concluída a IX Reunião Internacional de Camonistas

Notícia 03 de Junho 2026

A Biblioteca Nacional de Portugal acolheu, esta terça-feira, 3 de junho, o segundo e último dia da etapa de Lisboa da IX Reunião Internacional de Camonistas, encerrando um percurso que passou por Braga (19-20 de março) e  Porto (15-16 de abril), reunindo investigadores e especialistas de diferentes países em torno do tema “O tempo de Camões: Camões no nosso tempo”.

Os trabalhos começaram com o 13.º Painel, dedicado ao tema “Camões e as artes: memória e projeção”, moderado por Joaquim Caetano, do Museu Nacional de Arte Antiga. Vítor Serrão, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, analisou as relações entre a obra de Camões e a cultura visual do seu tempo, explorando os diálogos entre poesia, pintura e pensamento artístico no contexto do Maneirismo. Raquel Henriques da Silva, da Universidade NOVA de Lisboa, abordou a representação de Camões e da figura de Jau na cultura romântica oitocentista, refletindo sobre as imagens de marginalidade associadas ao poeta. Fernando António Baptista Pereira, da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, centrou a sua comunicação na construção da imagem de D. Sebastião enquanto “Maravilha fatal da nossa idade”, analisando os contributos de artistas e escritores como Cristóvão de Morais, Francisco de Holanda, Camões e Jerónimo Corte-Real para a formação desse imaginário.

Seguiu-se o 14.º Painel, subordinado ao tema “Receção de Camões” e moderado por Rita Patrício, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Sara Augusto, da City University of Macau, examinou a presença de Camões na literatura de Macau em língua portuguesa, destacando a persistência da sua figura e da sua obra como referência literária e cultural. José Carlos Canoa, do Instituto Português do Oriente (IPOR), apresentou uma reflexão sobre as representações iconográficas da Gruta de Camões em Macau e a forma como este espaço continua a inspirar artistas contemporâneos. José Manuel Ventura, do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, analisou a forma como Camilo Castelo Branco olhou para as comemorações camonianas de Oitocentos e para a receção da figura do poeta na cultura portuguesa.

A sessão de conclusões esteve a cargo de José Augusto Cardoso Bernardes, Comissário-geral para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, seguindo-se uma visita guiada à exposição “No Rasto de Luís de Camões”, orientada por Vanda Anastácio. O programa incluiu ainda a apresentação do espetáculo “Cenas de Enfatriões”, pela Companhia Maizum, com encenação de Silvina Pereira, encerrando os trabalhos da reunião.

A organização da etapa em Lisboa coube a Isabel Almeida (FLUL) e o secretariado a Paulo Cracel (FLUL). O programa completo pode ser consultado aqui.

A realização da IX Reunião Internacional de Camonistas em Braga, Porto e Lisboa constituiu um importante momento de encontro entre investigadores, docentes e especialistas de diferentes áreas disciplinares e proveniências geográficas, promovendo novas leituras sobre a obra de Luís de Camões e a sua receção ao longo dos séculos.

Segundo José Augusto Cardoso Bernardes, um dos objetivos centrais das Comemorações era fazer um ponto de situação dos estudos camonianos na atualidade e projetá-los no futuro, um propósito que a IX Reunião Internacional de Camonistas ajudou a concretizar.

Ao longo das três etapas, o encontro contribuiu para aprofundar o conhecimento sobre o poeta, reforçar redes internacionais de investigação e evidenciar a vitalidade dos estudos camonianos no contexto das comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões.