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CAMÕES E O FUTURO

Notícia 10 de Junho 2026

Dois anos depois do seu início, terminam hoje as Comemorações oficiais do V centenário do nascimento de Luís de Camões.

Não sendo ainda o momento de proceder a um balanço da forma como se celebrou a efeméride, é possível antecipar algumas conclusões: o elevado número de iniciativas (mais de duas centenas) e o envolvimento, para além da Estrutura de Missão, de entidades muito diversas: Escolas, Bibliotecas, Municípios, Universidades, Cátedras de Português no estrangeiro, Associações académicas e culturais, agentes artísticos.

Algumas atividades exigiram muito tempo de preparação. É o caso da Exposição que foi inaugurada no último dia 5 de maio, na Biblioteca Nacional de Portugal, com curadoria de Vanda Anastácio. Nela se concretiza um vasto programa de natureza pedagógica e artística, raro em Portugal e nunca visto a propósito de Camões ou de qualquer outro escritor português. No mesmo edifício, em feliz articulação com essa Mostra, surge uma outra que, depois de ter estado patente na Sede da Unesco, em Paris, foi remontada e ajustada. Tem curadoria de Anísio Franco, Filipa Oliveira e Paulo Pires do Vale.

Ainda no domínio das Exposições, justifica destaque um ambicioso empreendimento que vem sendo preparado por uma equipa da Universidade Aberta (liderado por Maria de Jesus Crespo), com forte incorporação de realidade virtual.
Já no outono, haveremos de ter, na Biblioteca Nacional de Espanha, a última grande Exposição patrimonial das comemorações, comissariada por Aurelio Diaz Toledo. Tal como sucede com as anteriores, também esta Mostra será acompanhada de desenvolvido e criterioso Catálogo.

No plano das edições, sobressai o lançamento do primeiro volume das Obras anotadas de Luís de Camões. É dedicado às Redondilhas e foi preparado por Marcia Arruda Franco (da Universidade de São Paulo). Seguir-se-ão mais cinco volumes, cobrindo a totalidade da obra tida por autêntica.

A um outro nível, justificam menção e louvor os espetáculos especialmente concebidos para esta ocasião (de teatro e de música, sobretudo). Como sempre se soube, a obra de Camões detém um potencial inesgotável de criação artística, viva e atualizável.

O desígnio maior das Comemorações é (foi sempre) possibilitar um contacto mais dinâmico e ajustado com a obra do poeta. Nesse sentido virão a público livros, que se encontram em fase adiantada de preparação: atas de Colóquios e Congressos, edição de cancioneiros quinhentistas e de outras fontes menos conhecidas. Criar-se-á um portal (“Camões Lab”) para acolher e divulgar o que de mais importante se fez e fará em torno do poeta e do seu legado, incluindo formas proveitosas de o investigar e de o ensinar.

Contrariando a ideia de que um poeta nascido há quinhentos anos nada mais tem para nos dizer, Gonçalo M. Tavares defendia recentemente, em jeito de convicção programática, que muito apetece subscrever:

“Camões está tão atual como o futuro”.

Lisboa, 10 de junho de 2026

José Augusto Cardoso Bernardes

(Comissário-geral)